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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Glossário das Artes.

Marco Cardoso como Creonte em Medeia de Nelson Albissu 


Tragédia: (Do grego tragoedia, canto do bode - sacrifício aos deuses pelos gregos). Francês: tragédie, Inglês: tragedy, Alemão: tragödie, Espanhol: tragedia.

Peça que representa uma ação humana funesta muitas vezes terminada em morte. Aristóteles dá uma definição de tragédia que influenciará profundamente os dramaturgos até os nossos dias: "A tragédia é a imitação de uma ação de caráter elevado e completo, de uma certa extensão, numa linguagem temperada com condimentos de uma espécie particular conforme as diversas partes, imitação que é feita por personagens em ação e não por meio de uma narrativa, e que, provocando piedade e temor, opera a purgação própria de semelhantes ações".  Vários elementos fundamentais caracterizam a obra trágica: a catharsis ou purgação das paixões pela produção do terror e da piedade; a hamartia ou ato do herói que põe em movimento o processo que conduzirá à perda; a hybris, orgulho e teimosia do herói ue perserva apesar das advertências e recusa esquivar-se; o phatos, sofrimento do herói que a tragédia comunica ao público. A sequência tipicamente trágica teria por "fórmula mínima": o mythos é a da práxis através do phatos até a anagnoris. O que significa, dito de maneira clara: a história clara imita as ações humanas colocadas sob o signo dos sofrimentos das personagens e da piedade até o momento do reconhecimento das personagens entre si ou da conscientização da fonte do mal.
 
Sem fazer aqui a história da tragédia, cumpre reter três periodos em que ela floresce particularmente: a Grécia clássica do século V, a Inglaterra elizabetana e a França do século XVII (1640-1660).


(Fonte:  dicionário de Teatro de Patrice Pavis)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Glossário das Artes.

Ator: Francês: acteur, Inglês: actor, Alemão: Schauspieler, Espanhol: Actor.

O ator desempenhando um papel ou encarnando um personagem, situa-se no próprio cerne do acontecimento teatral. Ele é o vínculo vivo entre o texto do autor, as diretivas de atuação do encenador e o olhar e a audição do espectador. Compreende-se que este papel esmagador tenha feito dele, na história do teatro, ora uma personagem adulada e mitificada, um "monstro sagrado", ora um ser desprezado do qual a sociedade desconfia por um medo quase instintivo.

(Fonte: Dicionário de Teatro de Patrice Pavis)


Os atores Marco Cardoso e Marcela Lino
em "Samarica" da Cia Radiophônica  
(foto do arquivo pessoal Marco Cardoso)

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Glossário das Artes.


Iluminação: Fr.: éclairage; Ingl.: ligthing; Al.: Beleuchtung, Esp.: iluminación.

1. O termo iluminação vem sendo substituído, cada vez mais, na prática atual, pelo termo luz, provavelmente para indicar que o trabalho da iluminação não é iluminar um espaço escuro, mas, sim, criar a partir da luz. O alemão Lichtregie (encenação da luz) ou o inglês ligthing design (desenho das luzes) também insistem no papel focalizador da luz na encenação. Após os sucessivos imperialismos do ator-rei, do encenador, do cenógrafo, é o ilumindor - o senhor absoluto da luz - que se torna com frequência a personagem chave da representação. Entretanto, APPIA já observava, no ínicio do século, a importância da luz colocada a serviço do ator: "A luz é de uma flexibilidade quase milagrosa. Ela possui todos os graus de claridade, todas as possibilidades de cores, como uma paleta, todas as modalidades; pode criar sombras, irradiar no espaço toda a harmonia de suas vibrações extamente como faria a música. Possuímos nela todo o poder expressivo do espaço, se este espaço é colocado a serviço do ator" (1954:39). (...)


(Fonte: Dicionário de Teatro, Patrice Pavis)

"De cara com o avesso"
Direção: José Renato
Produção: Cristiane Castiglione
Iluminação: Marisa Bentvigna
Operador de Luz e Técnico: Marco Cardoso

domingo, 29 de agosto de 2010

Glossário das Artes.

Esquete: (De sketch, palavra inglesa para esboço) Francês: sketch; Inglês: sketch; Alemão: Sketch; Espanhol: Sketch.

O esquete é uma cena curta que apresenta uma situação geralmente cômica, interpretada por um pequeno número de atores sem caracterização aprofundada ou de intriga aos saltos e insistindo nos momentos engraçados e subversivos. O esquete é, sobretudo, o número de atores de teatro ligeiro que interpretam uma personagem ou uma cena com base em um texto humorístico e satírico, no music-hall, no cabaré, na televisão ou no café-teatro. Seu princípio motor é a sátira, às vezes literária (paródia de um texto conhecido ou de uma pessoa famosa), às vezes grotesca e burlesca (no cinema ou na televisão), da vida contemporânea.

(Dj Balli, Camila Molina e Marco Cardoso em esquete da Sexta do Riso- Foto arquivo pessoal de Marco Cardoso_by Meg Mamede)

(Fonte: dic. de teatro de Patrice Pavis)

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Glossário das Artes.




Gestual: (Neologismo do início do século XX)
Francês: gestuelle; Inglês: systen of gestures; Alemão: gebärdensprache; Espanhol: gesticulación.

O gestual é uma noção que se aproxima da noção de gestualidade. É a maneira de se mexer específica de um ator, de um personagem ou de um estilo de representar. Gestual implica uma formalização e uma caracterização de gestos do ator, preparando, portanto, para a noção de gestus.

(Fonte: dic. de teatro de Patrice Pavis)





(Foto do arquivo pessoal do ator Marco Cardoso)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Aconteceu há 10 anos.

Obra de Eurípedes, dramaturgo grego, datada de 431 aC. Medéia foi adaptada e dirigida por Nelson Albissú, tendo sido apresentada no ano de 2000 no Teatro Municipal Paschoal Carlos Magno pelos então alunos de arte dramática do Colégio Estrutural de Mogi das Cruzes.


A bruxa e semi-deusa Medéia descobre que seu amado Jasão, guerreiro belíssimo e bem mais jovem do que ela, abandonou-a para se casar com Glauce, filha do rei Creonte. Transtornada de ódio e ciúme, Medéia jura uma terrível vingança. A ama de Medéia, embora goste da patroa, apavora-se ao pensar na tragédia que pode acontecer. Teme especialmente pelos dois filhos de Medéia e Jasão, uma vez que a bruxa transfere parte da raiva que sente pelo marido para as duas crianças que, embora inocentes, incentivam a lembrança do pai. O ressentimento de Medéia aumenta quando Creonte, sabendo de suas intenções maléficas, ordena que ela e seus filhos sejam banidos de Corinto. Esperta, Medéia persuade o rei a deixá-la ficar só mais um dia, tempo necessário para se preparar para o exílio. Em sua mente, porém, ela já está formalizando o plano da vingança. Seu único problema é descobrir para onde poderá fugir depois. Egeu, o rei de Atenas, um velho amigo de Medéia, está voltando de uma longa viagem e passa por Corinto. Tomando o partido da amiga e deplorando a atitude de Jasão, Egeu oferece à bruxa refúgio em seu reino. Quando as mulheres de Corinto vão se despedir de Medéia, ela faz com que esse coro jure segredo, contando em seguida seu terrível plano. Sua idéia é matar Jasão, a princesa Glauce e Creonte, fugindo em seguida com os filhos. Porém, depois de pensar melhor, Medéia chega à conclusão de que sua vingança seria mais perfeita se Jasão permanecesse vivo para sofrer. Nada poderia causar-lhe mais dor do que envelhecer sem um amor, sem amigos... e sem seus filhos. Dessa forma, Medéia resolve matar o rei, a princesa e, numa violência contra a natureza humana, exterminar a própria prole. Traiçoeira, Medéia procura Jasão e finge que o desculpou e entendeu suas atitudes. Como prova de seu “perdão”, ela manda os filhos levarem um presente para a noiva Glauce: um lindo vestido bordado. Jasão acredita nas palavras da ex-mulher e louva seu bom coração. O presente para Glauce, entretanto, é enfeitiçado. Confeccionado pelo avô de Medéia, Apolo (o deus do Sol), o vestido é envenenado. Em pouco tempo, um mensageiro vem avisar à Medéia que Glauce encontrou uma morte horrível ao experimentar o traje, agonizando envolta em chamas. Creonte, ao tentar salvar a filha, também foi contaminado pelo veneno, morrendo de forma igualmente dolorosa. Nesse meio tempo, os filhos de Medéia retornaram do palácio de Creonte. Ao olhar para eles e sentir seus bracinhos abraçando-a, Medéia fica dividida entre os sentimentos do amor e do ódio, entre o desejo de vingança e o instinto materno. O lado bárbaro de sua natureza acaba triunfando e a bruxa tranca-se com as crianças dentro da casa. O coro, formado pelas mulheres de Corinto, chega para implorar pela vida das crianças, mas isso não impede que a mãe as esfaqueie até a morte. Jasão, transtornado por causa das mortes de Creonte e Glauce, aparece decidido a tomar os filhos de Medéia. Ao descobrir que as crianças também estão mortas, ele quase enlouquece de desespero. Enquanto tenta derrubar a porta da casa, Medéia aparece flutuando no céu, dentro da carruagem mágica do deus Apolo. Ao lado dela, os corpos dos filhos mortos. Jasão amaldiçoa a ex-mulher, que já começa a sofrer com o sentimento de culpa. A carruagem, conduzida por dragões, parte em direção à montanha da deusa Hera. Lá, Medéia pretende enterrar os filhos. Depois, deseja seguir para Atenas, onde deverá permanecer até o final de seus dias, convivendo com a horrenda consciência de seu crime.



Na foto, Marco Cardoso como Creonte na peça Medéia apresentada em Mogi das Cruzes em 2000.
(Foto do arquivo pessoal de Marco Cardoso)


Nota:

As fotos utilizadas no blog são do arquivo pessoal do ator Marco Cardoso e amigos. Caso você conheça a autoria das fotos favor infomar-nos para que os créditos sejam mencionados no blog.

Quanto as outras imagens e fotos aqui utilizadas sem menção da autoria, por desconhecimento nosso, também será adotado o mesmo critério, ou seja, serão creditadas ou excluídas da postagem se necessário. Obrigada.